

Um dia mais triste deixei de sonhar
Os meus velhos sonhos morreram na idade
Sonhei tanto meu Deus, tanto, tanto
Vivi pela noite um sonho feliz
A saudade é poesia
A saudade eu vi um dia
A minha vida passou
A vida que não vivi
O meu menino eu perdi
Perguntei ao vento se o viu
Perguntei à noite se encontrou
Perguntei ao tempo se não viu
Tempo atrás do tempo procurei
No futuro um dia o encontrei
Numa noite quente de verão
Vou buscar na noite que perdi
Vou dormir sobre a noite e vou sonhar
Vou olhar pela noite o meu futuro
A noite que tive um dia
À noite vou procurar
Pela noite dentro entrei
És a noite apetecida
Nesta minha vida, sonhos não havia
Fui sonhando a vida, sempre a esperar
Que o sonho da noite eu sonhasse um dia
Em que não é fácil voltar a sonhar
Nos sonhos guardei a secreta saudade
Quem sabe um dia os vou recordar
Mas os sonhos morrem ao amanhecer
Tinha sonhos tristes, molhados de pranto
E sonhos felizes sem adormecer
Sonho de luar na noite na noite estrelada
Foi um belo sonho que eu um dia quiz
O sonhar na vida, um dia acordada.
SAUDADE
Que vive dentro de mim
Quem dera poder um dia
Ter saudade até ao fim
Chorando ao passar por mim
A triste dor da agonia
Uma saudade sem fim
Tão depressa envelheci
O tempo é que não parou
Passou correndo eu não vi
O tempo já se passou
A minha história eu não li
Nunca ninguém a contou
Fez-se homem, já cresceu
A saudade que eu senti
Desse tempo que morreu
PERGUNTEI AO TEMPO
O amor que perdi à tanto tempo
Às ondas do mar se o sentiu
Ao céu se ouviu o seu lamento
O amor que um dia foi perdido
Perguntei ao luar se iluminou
O amor que eu julgava ter vivido
O meu menino ao longe no passado
Um dia de tristeza ele partiu
Para a distância, do mundo enjeitado
Palmilhei estradas sem ter fim
O meu menino, jamais o encontrei
Ficou só na saudade junto a mim
O meu menino feito homem já crescido
Então eu tristemente constatei
Que o menino era passado, já perdido.
UMA NOITE
A olhar o prazer da calmaria
Vou sentir calor no coração
Vou viver a noite até ser dia
O que a luz do dia não me deu
A serenidade da vida, não a vi
Só a noite, a calma me ofereceu
Com os tristes poemas que escrevi
Pela calma da noite vou olhar
A vida, qual poesia que não li
E sonhar com o que vai acontecer
Será que a tristeza do escuro
Dará a luz que falta ao meu viver
NOSTALGIAS
A noite que já não tenho
Vou viver a nostalgia
da noite que não desdenho
No meu sono, a solidão
Quando meus olhos cerrar
Ter paz no meu coração
Os meus olhos se fecharam
No meu sonho eu encontrei
Os sonhos que me faltaram
Que sonhei há muito tempo
Uma noite adormecida
No distante pensamento
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